domingo, 17 de março de 2013

Tópico discursivo (Fávero, p. 39-47)

Tópico discursivo (Fávero, p. 39-47)

                Tópico discursivo é o processo colaborativo que envolve os participantes e em sentido geral pode ser definido como “ aquilo sobre o que se está falando”(Brown & Yule, 1983,p.73). O tópico é o elemento estruturador da conversação, porque os interlocutores sabem quando estão interagindo dentro de um mesmo tópico. Trata- se segundo Aquino(1991,p.65-66) do sentido construído enquanto se fala e gerado também, por atividades as quais mobilizam e marcam seus segmentos. Nem sempre a identificação do tópico é clara, dependendo assim do contexto, por isso pode aparecer implícito.
                Quando isso ocorre, verifica- se que o referencial não está no texto, mas no contexto situacional e, neste caso, as unidades lingüísticas referem-se sistematicamente a traços do mundo extralingüísticos.
                Pesquisas realizadas pelo grupo de estudiosos do texto que integram o projeto da Gramática do Português falado no Brasil permitem indicar que o tópico discursivo apresenta as seguintes propriedades: Centração, organicidade, delimitação local.
                Centração é o falar acerca de de alguma coisa, implicando a utilização de referentes explícitos ou inferíveis que convergem para o desenvolvimento textual. É preciso lembrar que o tópico é um processo colaborativo entre os participantes da atividade interacional. A centração norteia de ta forma o tópico que chega a mudá-lo .
                Organicidade é a relação entre os tópicos, em quantos tópicos são organizados o discurso. Pode- se apresentar um super-tópico, um tópico e um sub-tópico. A relação entre esses elementos é o que se denomina organicidade.

      
                                            Delimitação local- o tópico é desenvolvido e marcado por início, desenvolvimento e fecho. As marcas dessas delimitações podem ser: Marcadores conversacionais, elementos prosódicos (hesitação na fala, pausas), perguntas, repetições, paráfrase, etc. A continuidade decorre da sequência de tópicos, sendo que um abre após o outro fechar desde que apresentem o mesmo assunto. Caso se dê a mudança de tópico aparece então a descontinuidade, ou seja, um tópico é inserido antes do outro fechar. Se o tópico central for retomado nesse processo, não será caracterizado a descontinuidade, mas sim a digressão. Digressão é a porção da conversa que não está diretamente ligada ao tópico em andamento, pode aparecer por influência dos interlocutores, por exemplo:
L1: ao fui a faculdade ontem.
L2: E aí? Como está o pessoal que estudou conosco na escola?
L1: Estão se saindo muito bem. Todos estão bem dispostos a estudar.
L2> Que legal, mas, porque você não foi a faculdade ontem?
                                            Aparece aí a digressão, desde que após as explicações seja retomado o motivo de não ter ido a faculdade.
Inserção- Inserção é o acréscimo de ideias para que se possa entender do que se fala.São elementos esclarecedores, informadores na fala, para que seja alcançado o objetivo da comunicação.

(Vaguiner Farias)


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